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 Governo cubano chama acusação dos EUA de infame e provocadora

Cuba condena acusações dos EUA contra Raúl Castro

Cuba condenou, nesta quinta-feira (21), as acusações apresentadas ontem (20) pela Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o governo cubano, por um episódio ocorrido há 30 anos.

“O governo dos Estados Unidos carece de legitimidade e jurisdição para levar a cabo esta ação. Trata-se de um ato desprezível e infame de provocação política, que assenta na manipulação desonesta do incidente que levou à queda [de aeronaves] sobre o espaço aéreo cubano, em fevereiro de 1996”, apontou o Governo de Cuba. 

Havana assinalou ainda que Washington “omite, entre outros detalhes, as várias denúncias formais apresentadas por Cuba naquele período junto ao Departamento de Estado, da Administração Federal de Aviação dos EUA e da Organização da Aviação Civil Internacional, sobre as mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo” da ilha por parte da organização anti-castrista Hermanos al Rescate, sediada em Miami.

A resposta cubana “constituiu um ato de legítima defesa, amparado pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional de 1944 e pelos princípios de soberania aérea e proporcionalidade”.

“Os Estados Unidos, que foram vítimas do uso da aviação civil para fins terroristas, não permitem nem permitiriam a violação hostil e provocadora de aeronaves estrangeiras sobre o seu território e atuariam, como já demonstraram, com uso da força”, acrescentou.

Cinismo

O governo cubano considerou ainda um “grande cinismo” que “quem formule esta acusação seja o mesmo governo que assassinou cerca de 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico, longe do território dos Estados Unidos, com o uso desproporcional da força militar, por supostos vínculos com operações de narcotráfico, que nunca foi provado”.

As autoridades da ilha classificaram igualmente como ilegítima a acusação contra “o líder da Revolução Cubana”, Raúl Castro, atribuindo-a a “tentativas desesperadas de elementos anti-cubanos para construir uma narrativa mentirosa” contra a ilha mediante o reforço de “medidas coercivas unilaterais”, bem como o bloqueio energético aplicado desde janeiro e ameaças de agressão armada.

A acusação contra Castro, de 94 anos e irmão mais novo de Fidel Castro (1926-2016), surgiu em um momento de crescente pressão da administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, contra o governo cubano, que inclui um bloqueio petrolífero imposto há cinco meses e uma ampliação de sanções econômicas contra a ilha.

Trump impôs um bloqueio petrolífero à ilha, reforçou as ameaças de “tomar o controle” do país e ampliou as sanções contra a liderança cubana e o conglomerado empresarial militar Gaesa, responsável por cerca de 40% do produto interno bruto (PIB) da ilha, segundo as estimativas mais conservadoras.

Estas ações, somadas à captura, em janeiro, do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado fundamental de Cuba, aprofundaram a crise econômica e humanitária que a ilha enfrenta, desabastecida de petróleo e com problemas energéticos.

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